Se você viveu nos anos 1990, provavelmente sentiu os efeitos do neoliberalismo sem saber o nome. Privatizações de empresas estatais, abertura comercial, corte de gastos públicos, desregulamentação de mercados — essas políticas varreram o mundo nessa época, da América Latina à Europa do Leste, como se fossem a única resposta possível aos problemas econômicos. Mas de onde veio essa ideia e por que ela ainda divide tanto?
O neoliberalismo é, em essência, uma retomada atualizada dos princípios do liberalismo econômico clássico, com um foco muito forte na redução do papel do Estado na economia. Ele ganhou força nas décadas de 1970 e 1980, sob a influência de economistas como Milton Friedman e institutos como a Escola de Chicago, e chegou ao poder com Margaret Thatcher no Reino Unido e Ronald Reagan nos EUA. A receita era clara: privatizar o que for possível, abrir a economia para o capital estrangeiro, liberalizar o comércio e desregulamentar setores para estimular a concorrência.
No papel, os argumentos neoliberais têm coerência: mercados competitivos seriam mais eficientes do que monopólios estatais; a abertura comercial reduziria preços e aumentaria a variedade de produtos; e menos regulação significaria mais espaço para o empreendedorismo. Em alguns contextos, essas políticas produziram crescimento real. Em outros, geraram desemprego, concentração de renda e desmonte de serviços públicos que a população mais pobre dependia.
Quem pesquisa “neoliberalismo o que é”, “neoliberalismo no Brasil” ou “neoliberalismo críticas” está tentando entender por que esse modelo ainda polariza tanto. A resposta está nos resultados contraditórios: países que privatizaram setores estratégicos e abriram suas economias tiveram experiências muito diferentes entre si, dependendo de como as reformas foram conduzidas e de qual era o ponto de partida social de cada nação.
Hoje, o neoliberalismo está em xeque em muitos países. A pandemia de Covid-19 expôs as fragilidades de sistemas de saúde sucateados e de Estados enfraquecidos por décadas de cortes. O debate agora não é mais “Estado ou mercado” de forma absoluta, mas sim: qual o papel de cada um, em que proporção e com que mecanismos de controle? Essa é a pergunta que vai definir o modelo econômico das próximas décadas.
