O mundo atravessa um dos momentos de maior instabilidade geopolítica desde o fim da Guerra Fria. A invasão russa da Ucrânia reconfigurou as alianças europeias e acelerou o debate sobre dependência energética. O avanço da China no Indo-Pacífico desafia a hegemonia americana em mares que, por décadas, foram considerados território americano por direito. E no Oriente Médio, a guerra em Gaza redesenha as relações entre potências regionais e coloca em xeque décadas de diplomacia. Cada um desses conflitos, isoladamente, já seria capaz de remodelar a ordem global. Juntos, eles sinalizam uma transição de época.
Para o Brasil, essas tensões não são eventos distantes transmitidos por satélite. Elas chegam no preço da gasolina, na volatilidade do dólar, na dificuldade de importar componentes eletrônicos e na pressão sobre as exportações de commodities. O país ocupa uma posição estratégica singular — grande produtor de alimentos e energia num mundo com fome de ambos — mas ainda não consolidou uma política externa à altura desse potencial. Enquanto isso, as grandes potências disputam influência na América do Sul com uma intensidade que não se via desde a Guerra Fria.
Compreender a geopolítica global deixou de ser privilégio de diplomatas e analistas de segurança. É uma habilidade de sobrevivência econômica e política para qualquer cidadão que queira entender por que seu país toma as decisões que toma — e o que está em jogo quando líderes mundiais se sentam à mesa de negociação. Nas próximas semanas, este blog vai acompanhar de perto os principais pontos de tensão do planeta, traduzindo a linguagem dos gabinetes para a linguagem do cotidiano.
